Está aqui

Jornalistas, fontes profissionais e "spin doctors": sol e sombra

POSTED BY: TdQ | Qui, 29/05/2014 - 09:26

O “spin doctor”, defende Vasco Ribeiro, “é o autor político da mensagem e, em consonância com a instituição ou indivíduo que representa, gere com autonomia a conversão da mesma em notícia, através de métodos bem mais complexos e opacos que os da assessoria”

Vasco Ribeiro, que ainda agora andou envolvido na campanha das eleições europeias, arranjou um espaço na sua agenda para defender a tese de doutoramento em Ciência da Comunicação (Universidade do Minho). Fê-lo desvendando um pouco (mais exactamente, “um muito”) dos bastidores da relação entre os jornalistas e as fontes profissionais.

Vasco Ribeiro Spin Doctor book livro

Sol e sombra nas fontes profissionais

“O spin doctoring em Portugal” (assim foi baptizada a tese) faz um enquadramento histórico desta actividade, a partir do conhecido em mercados comunicacionais mais evoluídos, e publica uma série notavelmente inédita de 10 entrevistas com protagonistas portugueses, incluindo os históricos António Colaço (PS), Fernando Lima (Cavaco) e Zeca Mendonça (PSD). 

Quanto às conclusões de Vasco Ribeiro, relevo a firmeza com que deixa clara a diferença entre a assessoria de imprensa e o “spin doctoring”, explicando que este vai muito para além da indução noticiosa. O “spin doctor”, escreve, “é o autor político da mensagem e, em consonância com a instituição ou indivíduo que representa, gere com autonomia a conversão da mesma em notícia, através de métodos bem mais complexos e opacos que os da assessoria”

A relação entre “spin doctors” e jornalistas, prossegue, é uma relação tensa - “oscila entre a conflitualidade e a cumplicidade” -, o que se afigura natural no choque entre quem pratica uma disciplina do marketing que integra “as mais sofisticadas e actualizadas técnicas de manipulação e persuasão” e aqueles que têm por missão informar.

Voltarei à tese porque ando a catar “soundbites” das entrevistas editadas por Vasco Ribeiro. Quanto a este, julgo que vai passar os próximos anos a “spin doctorar” em Bruxelas e Estrasburgo.

Este post foi originalmente publicado por Luís Paixão Martins no blogue A Teoria do Q

Nota: O Vasco Ribeiro já esclareceu que não vai “spin doctorar” na burocracia europeia, optando por prosseguir a sua carreira académica e de consultor. Fixe.