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Na Consultoria a ignorância é uma virtude?

POSTED BY: TdQ | Dom, 14/12/2014 - 10:17

Gestores de espírito aberto e construtivo reconhecem a importância de contribuições independentes, objectivas e credenciadas com outras experiências.

ignorance

Consultores para quê?

Um quadro superior de uma organização explicava-me no outro dia porque não vale a pena contratar consultores de comunicação nem gurus do marketing. Porque, dizia ele, o mercado da crise sistémica em que vivemos proporcionou a criação (forçada, creio) de uma oferta freelancers criativos que projectam, a preços em conta, as ideias dos seus clientes.

O meu interlocutor é um tipo elegante e diplomata e, por isso, não acrescentou: …e sem termos a maçada de aturar pessoas chatas que só dificultam a nossa acção porque trazem ideias diferentes e (se forem dos últimos profissionais sobreviventes da época do brio profissional) porque teimam em defendê-las.

Na verdade, na comunidade low cost que criámos, o preço tornou-se o factor essencial da contratação e essa é uma realidade que, mesmo os consultores que se querem destacar pela qualidade, são forçados a ter em conta.

É uma evidência que consideração desse factor tem tido efeitos perniciosos na prestação de serviços: a preços mais baixos correspondem, obrigatoriamente, recursos humanos menos qualificados (ou mais mal retribuídos) e, em casos extremos, a eliminação de alguns ingredientes da mesma.

OK, o bolo pode parecer o mesmo por fora mas tem mais farinha e menos ovos e deixou de levar açúcar de melaço.

Até aqui tudo conforme com a lei cínica da vida: se é isto que o mercado quer, se é isto o que os clientes (que é quem paga) querem (ou podem…), o que resta aos coitados dos prestadores de serviços se não adaptar-se?

Como compreenderão, não seria por isso que estaria aqui a gastar as palavras deste apontamento. 

Será que as funções do marketing e da comunicação serão meramente executivas?

As minhas dúvidas são outras: será que as funções do marketing e da comunicação serão meramente executivas?

Indo mais longe: será que as empresas, os territórios, os protagonistas, as organizações podem continuar a desenvolver o seu marketing e a sua comunicação apenas com a visão dos seus dirigentes e o saber técnico de prestadores de serviços meramente executivos?

Al Ries, a quem aprecio recorrer quando procuro respostas, escrevia recentemente que um dos principais atributos do consultor é a… ignorância. Que é como quem diz, apressava-se a acrescentar (para não haver mal-entendidos), a objectividade.

A sobranceria de alguns gestores de determinado projecto ou entidade pode levá-los a menorizar os consultores externos e a acentuar os seus lapsos de recém-chegados.

Mas aqueles que tiverem espírito aberto e construtivo sabem reconhecer a importância de contribuições independentes, objectivas e credenciadas com outras experiências.

Este apontamento foi originalmente publicado por Luís Paixão Martins em A Teoria do Q