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O mundo das RP está nas mãos das Catarinas

POSTED BY: TdQ | Seg, 02/06/2014 - 10:00

O que conta é dar o exemplo, ser transparente, autocrítico e inclusivo. Nisto ganham as mulheres consultoras. 

Talvez conheçam a Catarina Vasconcelos. É a directora-geral da LPM. É ela quem comanda, lidera e organiza a consultora que fundei, desde que, em 2010, decidi proceder à extinção (progressiva) do meu posto de trabalho.

Catarina Vasconcelos, Briefing, capa

Capa Jornal Briefing, fevereiro 2014

A minha escolha da Catarina não surpreendeu ninguém que conheça o dia-a-dia das equipas que trabalham sob a minha direcção.

Sempre tive a preocupação de criar condições para que todos e todas desenvolvam internamente as suas carreiras – e para a credibilidade dessa política não podem existir postos tabu.

E sempre me norteou uma visão absolutamente agnóstica da questão dos géneros.

Acresce que, a par da ascensão da Catarina Vasconcelos ao posto máximo da empresa, tenho notado uma maior partilha de responsabilidades de direcção entre consultores e consultoras – ou consultoras e consultores.

A evolução da LPM (comigo a olhar, às vezes, do escritório 29) tem corrido às mil  maravilhas – a fazer fé na linguagem fria dos indicadores económico-financeiros obtidos num ambiente empresarial muito exigente. E tem corrido assim não apesar destas mudanças, mas exactamente por causa destas mudanças.

Dei-me a invocar esta minha experiência quando estava, no fim de semana, a estudar o novo “Ketchum Leadership Communication Monitor”, um estudo regular feito com base num painel global de 6500 pessoas líderes (de empresas, partidos, comunidades, ong’s, sindicatos).

Dele se conclui que as dirigentes de organizações estão a compreender melhor do que os dirigentes os sinais destes novos tempos.

O estudo avalia 14 métricas, mas apenas 10 são consideradas relevantes por mais de metade dos inquiridos. Destas 10 as mulheres líderes ficam melhor posicionadas em 7 e, consequentemente, os homens líderes em apenas 3.

Acresce que as mulheres destacam-se (cerca de 60% contra 40%) nas 4 mais relevantes: “leading by example”, “communicating in an open and transparent way”, “admitting mistakes”, “bringing out the best in other”.

Repararam bem? Dar o exemplo, ser transparente, admitir erros, puxar pelo melhor dos outros. São mesmo qualidades que a opinião pública não percepciona da parte dos clássicos patrões de empresa.

Em contrapartida (nem tudo é negativo para os meus colegas de género), os dirigentes homens posicionam-se melhor na gestão calma de crises, a tomar decisões difíceis e a projectar uma visão de longo prazo.

Já agora, querem saber qual o item menos valorizado (apenas 34%)? A retórica inspiracional. E nesta ganham os homens dirigentes.

Sendo assim, imaginem o potencial das mulheres consultoras de Comunicação. Elas são (e serão mais no futuro próximo) as mais indicadas para clientes que procuram criar percepções “soft” como aquelas referidas nos itens do estudo.

Quanto aos consultores do género masculino (como eu) serão mais procurados para episódios de crise e  aconselhamento de decisões difíceis. Ah, ia-me esquecendo, e para a desvalorizada “retórica inspiracional” – que é assim a modos que conversa da treta. Vá, rapazes, temos de nos esforçar mais. 

 Este post foi originalmente publicado por Luís Paixão Martins no blogue A Teoria do Q